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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Outra pequena história...


A viagem começara cedo, o sol já nascera havia duas horas mas a geada demorava a derreter, assim como o sentimento de tristeza de Matilde.
Todos os anos é assim, a família junta-se e vão apreciar a natureza. Sentir a doçura do vento ao bater na face, o odor majestoso que as flores campestres exalam, escutar os segredos do mar, dançar ao som melodioso das estrelas, sentir-se voar no cimo de uma montanha...Mas o tempo passa e com ele leva a juventude, a energia, a capacidade de sonhar e as pessoas que fazem parte da nossa vida também vão com ele. Com a sua passagem levou o marido de Matilde para longe dela, levou-o para sempre e ela consegue entender o que é uma hora, um minuto, um segundo mas para sempre não aparece nos relógios, para sempre é muito tempo e muito difícil de perceber...Ele partiu e muita coisa ficou por dizer e fazer. Para ela esta viagem já não faz qualquer sentido, pois uma parte dela já foi com o vento, uma parte dela já está no fundo do mar, as pernas já não querem dançar, o coração não sente necessidade de bater e também perdeu a capacidade de ouvir o som das estrelas, não sente que voa, apenas se deixa cair.
A vida de Matilde está como uma gota de orvalho numa manhã de Verão: quase a extinguir-se.

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